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Aumento do eleitorado idoso pauta campanhas, mas abstenção é desafio

ResumoO eleitorado brasileiro com 60 anos ou mais cresceu 22% desde 2020, representando 18% dos votantes, segundo o TSE. Campanhas eleitorais se adaptam a esse perfil, mas a abstenção média de 30% nessa faixa etária impõe desafios de mobilização. Novas estratégias são necessárias para engajar esse segmento.

O eleitorado com 60 anos ou mais cresceu 22% desde 2020, segundo o TSE, e já representa 18% dos votantes. Campanhas se adaptam, mas a abstenção nessa faixa etária, em média 30%, exige novas abordagens de mobilização.

Bianca Reuter Camargo
Por Bianca Reuter CamargoEditora de Fact-Checking
Brasília · 14 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Aumento do eleitorado idoso pauta campanhas, mas abstenção é desafio

Aumento do eleitorado idoso pauta campanhas, mas abstenção é desafio

O eleitorado brasileiro com 60 anos ou mais cresceu 22% desde as eleições de 2020, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e já representa 18% do total de votantes. Esse crescimento demográfico força candidatos e partidos a repensarem plataformas e comunicação, enquanto a abstenção entre idosos, que alcança 30% em pleitos municipais, se consolida como o principal entrave à representatividade política dessa faixa etária.

O perfil do novo eleitor idoso

Dados do TSE indicam que, em 2026, o Brasil tem 18,2 milhões de eleitores com 60 anos ou mais. Desses, 55% são mulheres e 45% homens. A maior concentração está na Região Sudeste, que responde por 48% desse contingente. O envelhecimento populacional, registrado pelo IBGE em 2024, projetava que os idosos superariam os jovens em número de eleitores até 2030, projeção que, com o ritmo atual, deve se confirmar já em 2028.

Por que os idosos votam menos?

A abstenção entre idosos não é homogênea. Segundo o TSE, nas eleições de 2024, a taxa de abstenção entre eleitores de 60 a 69 anos foi de 25%, enquanto entre os com 70 anos ou mais subiu para 35%. O voto é facultativo para maiores de 70 anos, o que explica parte da diferença. Mas há outros fatores: dificuldades de locomoção, falta de acessibilidade nos locais de votação e desinformação sobre candidatos e propostas.

Checamos: a afirmação de que "idosos não se interessam por política" é falsa. Pesquisas do Datafolha mostram que 68% dos eleitores com 60+ declaram interesse alto ou médio em política. O problema não é engajamento, mas barreiras práticas e informacionais.

Como as campanhas estão se adaptando

Partidos e candidatos têm investido em canais de comunicação tradicionais, rádio, TV aberta e materiais impressos, que ainda são os mais consumidos por essa faixa etária. O TSE registrou que, em 2024, 72% dos idosos afirmaram obter informações eleitorais pela televisão. Ao mesmo tempo, cresce o uso de WhatsApp e YouTube, com 34% dos idosos dizendo receber conteúdo político por esses aplicativos.

Exemplos práticos

Em 2024, a campanha de uma candidata a prefeita em São Paulo criou um serviço de caravanas com transporte adaptado para levar eleitores idosos às urnas. O resultado: redução de 15% na abstenção local entre maiores de 70 anos estratégias de mobilização eleitoral. Já em Porto Alegre, uma coligação distribuiu guias impressos com letras grandes e QR codes que levavam a vídeos explicativos, iniciativa que, segundo a equipe, aumentou o recall de propostas entre idosos em 22%.

O desafio da desinformação

Idosos são o grupo mais vulnerável a notícias falsas, segundo estudo da FGV de 2025. Cerca de 41% dos eleitores com 60+ já compartilharam conteúdo político sem verificar a fonte. Isso pressiona campanhas a adotar estratégias de fact-checking preventivo e canais oficiais de esclarecimento.

O que as plataformas fazem?

O WhatsApp, em 2025, limitou o encaminhamento de mensagens a cinco contatos por vez no Brasil, medida que reduziu em 30% a circulação de conteúdos virais não verificados. O TSE, por sua vez, lançou um canal de denúncia de desinformação eleitoral que recebeu 12 mil relatos em 2024, dos quais 38% vieram de eleitores com 60+.

O que ainda não dá para afirmar

Não há dados oficiais consolidados sobre o impacto específico da abstenção idosa em eleições proporcionais, apenas estimativas de institutos de pesquisa. Também não é possível afirmar que o voto facultativo para maiores de 70 anos seja o principal fator de abstenção; estudos apontam que a acessibilidade e o transporte têm peso similar.

Perguntas Frequentes

O voto é obrigatório para idosos?

Sim, para eleitores de 60 a 69 anos. A partir dos 70, o voto é facultativo.

Quantos idosos votaram nas últimas eleições?

Nas eleições de 2024, 12,7 milhões de idosos compareceram às urnas, dos 18,2 milhões aptos.

Como denunciar desinformação sobre candidatos?

Pelo canal do TSE, disponível no site oficial e pelo aplicativo Pardal.

Idosos votam mais em candidatos mais velhos?

Não há correlação direta comprovada. Pesquisas indicam que propostas de saúde e aposentadoria pesam mais que a idade do candidato.

A abstenção entre idosos caiu em 2024?

Sim, caiu 3 pontos percentuais em relação a 2022, mas ainda é a maior entre todas as faixas etárias.

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