Destaques

Congresso aprova divulgação em massa do Ligue 180: impacto e orçamento

ResumoO Congresso Nacional aprovou a ampliação da divulgação do Ligue 180, canal de denúncia de violência contra a mulher. A medida autoriza campanhas em rádio, TV e redes sociais, mas o orçamento previsto para a execução das ações ainda é insuficiente para cobrir integralmente os custos operacionais.

O Congresso aprovou a ampliação da divulgação do Ligue 180, canal de denúncia de violência contra a mulher. A medida prevê campanhas em rádio, TV e redes sociais. A pergunta que fica: o orçamento previsto cobre a execução?

Tarcísio Guedes do Amaral
Por Tarcísio Guedes do AmaralAnalista de Políticas Públicas
Brasília · 09 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Congresso aprova divulgação em massa do Ligue 180: impacto e orçamento

O Congresso Nacional aprovou a obrigatoriedade de divulgação em massa do Ligue 180, canal oficial de denúncia de violência contra a mulher. A lei, sancionada em maio de 2026, determina que emissoras de rádio e TV veiculem gratuitamente inserções publicitárias com o número. A medida, que já tramitava há dois anos, entra em vigor 180 dias após a publicação. A expectativa é ampliar o alcance do serviço, que hoje recebe cerca de 1,2 milhão de ligações por ano, segundo o Ministério das Mulheres.

Como funciona a divulgação em massa do Ligue 180

A nova regra estabelece que as emissoras de rádio e TV, em âmbito nacional, devem veicular, no mínimo, duas inserções diárias do Ligue 180 durante a programação, entre 6h e 22h. A medida vale para canais abertos e por assinatura, além de plataformas de streaming com sede no Brasil. A fiscalização ficará a cargo da Anatel, que poderá multar as empresas que descumprirem a determinação. O custo estimado da operação, segundo o relator do projeto, é de R$ 0 para o orçamento federal, já que as emissoras arcam com a veiculação. O impacto indireto, porém, inclui a necessidade de reforço no atendimento do Ligue 180, que hoje opera com 200 atendentes.

O orçamento público e a capacidade de resposta

A aprovação da lei não veio acompanhada de dotação orçamentária específica para ampliar a capacidade de atendimento. O Ministério das Mulheres, responsável pela gestão do Ligue 180, teve orçamento de R$ 1,2 bilhão em 2025, dos quais 65% comprometidos com despesas obrigatórias. A rubrica para o Ligue 180, dentro do programa de enfrentamento à violência, foi de R$ 45 milhões no ano passado. Com a nova demanda, o ministério estima necessidade adicional de R$ 12 milhões para contratação de 80 novos atendentes e ampliação da infraestrutura de TI. Sem remanejamento ou crédito extra, o serviço pode sofrer sobrecarga nos primeiros meses de vigência. O número desmente o discurso de que a medida sai de graça: o custo real é postergado, não eliminado.

Comparação com outras políticas de divulgação

A estratégia de divulgação em massa via concessão pública não é inédita. Em 2023, o Congresso aprovou lei similar para o Disque 100, canal de denúncia de violações de direitos humanos. Na ocasião, a Anatel registrou 98% de cumprimento pelas emissoras no primeiro ano. O impacto no volume de ligações foi de 40% de aumento nos primeiros seis meses. A diferença é que o Disque 100 já contava com central de atendimento dimensionada para picos. O Ligue 180, por sua vez, opera com capacidade ociosa de apenas 15%, segundo auditoria do TCU de 2024. Ou seja, a margem para absorver aumento repentino é estreita.

Efeito real na ponta: o que muda para a mulher

A divulgação em massa pode ampliar o conhecimento do número, mas não garante a efetividade do atendimento. Pesquisa DataSenado de 2025 mostrou que 78% das mulheres conhecem o Ligue 180, mas apenas 32% sabem que o serviço funciona 24 horas. A nova lei pode reduzir essa lacuna de informação. O gargalo, porém, está na resposta: o tempo médio de espera para atendimento humano é de 4 minutos, e o encaminhamento para a rede de proteção local depende da articulação com estados e municípios. Sem investimento paralelo em capacitação de agentes e integração de sistemas, a campanha pode gerar frustração. A medida, portanto, é necessária, mas insuficiente.

Perguntas Frequentes

A divulgação do Ligue 180 é obrigatória para todas as emissoras?

Sim, a lei aprovada pelo Congresso obriga emissoras de rádio e TV, inclusive canais por assinatura e plataformas de streaming, a veicular inserções gratuitas do Ligue 180. A Anatel fiscalizará o cumprimento.

Quanto custa a divulgação em massa para o governo?

O custo direto é zero, pois as emissoras arcam com a veiculação. O impacto indireto inclui a necessidade de ampliação da central de atendimento, estimado em R$ 12 milhões pelo Ministério das Mulheres.

O Ligue 180 funciona 24 horas?

Sim, o serviço opera 24 horas por dia, todos os dias da semana. As ligações são gratuitas e podem ser feitas de qualquer telefone fixo ou móvel.

Quem fiscaliza a divulgação do Ligue 180?

A Anatel é o órgão responsável por fiscalizar o cumprimento da lei, podendo aplicar multas em caso de descumprimento. A denúncia de irregularidades pode ser feita pelo próprio cidadão.

A medida aumenta o número de denúncias?

Historicamente, campanhas semelhantes, como a do Disque 100, geraram aumento de até 40% nas ligações. A expectativa é que o Ligue 180 tenha impacto similar, mas a capacidade de resposta precisa ser ampliada.

Como denunciar violência contra a mulher passo a passo Orçamento do Ministério das Mulheres em 2026: onde o dinheiro vai

Leia também

Publicidade