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Estudo revela como redes sociais moldam relação de jovens com política

ResumoEstudo do IBGE e da UFMG revela que 62% dos jovens entre 16 e 24 anos utilizam redes sociais como principal fonte de informação política. A pesquisa aponta aumento de 15% no engajamento online desde 2020, indicando que plataformas digitais moldam a relação dessa faixa etária com política.

Estudo do IBGE e da UFMG revela que 62% dos jovens entre 16 e 24 anos usam redes sociais como principal fonte de informação política. A pesquisa mostra aumento de 15% no engajamento online desde 2020, mas alerta para bolhas e fake news.

Marlene Okafor Vieira
Por Marlene Okafor VieiraComentarista de Direitos Humanos
Brasília · 30 de junho de 2026 · 4 min de leitura
Estudo revela como redes sociais moldam relação de jovens com política

Estudo revela como redes sociais moldam relação de jovens com política

Segundo pesquisa do IBGE em parceria com a UFMG, publicada em maio de 2025, 62% dos jovens brasileiros entre 16 e 24 anos afirmam usar redes sociais como principal fonte de informação política. O levantamento, que ouviu 10 mil jovens em todas as regiões do país, mostra que o engajamento político online cresceu 15% desde 2020, impulsionado por plataformas como Instagram, TikTok e YouTube.

Como as redes sociais transformam a participação política juvenil

A pesquisa indica que 78% dos jovens consideram as redes sociais um espaço legítimo para debater política, número que era de 52% em 2018. Esse salto reflete não apenas o aumento do acesso à internet (91% dos jovens estão conectados), mas também a percepção de que essas plataformas oferecem mais pluralidade que a mídia tradicional.

No entanto, há um lado crítico. O estudo da UFMG aponta que 40% dos jovens já compartilharam alguma notícia falsa sobre política sem verificar a fonte. Esse dado é corroborado por uma análise do Tribunal Superior Eleitoral, que registrou aumento de 30% nas denúncias de fake news durante o período eleitoral de 2024 entre o público jovem.

O papel do algoritmo na formação de bolhas

O algoritmo das redes sociais, ao priorizar conteúdo que gera engajamento, tende a reforçar crenças pré-existentes. A pesquisa do IBGE mostra que 55% dos jovens seguem apenas perfis com os quais concordam politicamente. Esse fenômeno, conhecido como "bolha de filtro", reduz a exposição a opiniões divergentes e pode radicalizar posições.

Engajamento online versus participação real

Um dos achados mais relevantes é a discrepância entre engajamento digital e participação política concreta. Enquanto 74% dos jovens curtem ou compartilham posts políticos, apenas 28% afirmam ter participado de alguma atividade política presencial nos últimos dois anos. A pesquisadora Carla Mendes, da UFMG, afirma que "o ativismo de sofá não substitui a militância de rua, mas tem seu valor como porta de entrada".

Educação midiática como resposta

O estudo sugere que a solução não está em restringir o acesso, mas em educar para o uso crítico. Escolas que implementaram programas de educação midiática, como o projeto "Verificaê", em São Paulo, reduziram em 25% o compartilhamento de fake news entre alunos. Ainda assim, apenas 12% das escolas brasileiras têm esse tipo de iniciativa.

Impacto na saúde mental e na polarização

A pesquisa também revela que 35% dos jovens relatam ansiedade ou estresse relacionados ao consumo de conteúdo político nas redes. O excesso de informações negativas e a exposição a discursos de ódio afetam o bem-estar. O Conselho Federal de Psicologia emitiu nota técnica recomendando pausas digitais e acompanhamento profissional para jovens engajados politicamente.

O que diz a legislação brasileira

O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) estabelece princípios de neutralidade de rede e responsabilidade de plataformas, mas não trata especificamente de algoritmos. Já o PL 2630/2020, em tramitação, propõe maior transparência algorítmica e combate à desinformação. O estudo recomenda que a regulação considere os impactos específicos sobre jovens.

Caminhos para um uso mais consciente

Diante dos dados, algumas práticas podem ajudar: verificar fontes antes de compartilhar, diversificar os perfis seguidos e usar ferramentas de checagem como Lupa e Aos Fatos. O estudo da UFMG mostra que jovens que seguem mais de cinco fontes de informação diferentes têm 40% menos chances de acreditar em fake news.

impacto das redes na democracia como identificar fake news

Perguntas Frequentes

As redes sociais são a principal fonte de informação política para jovens?

Sim. Segundo o IBGE, 62% dos jovens de 16 a 24 anos usam redes sociais como principal canal de informação política.

O engajamento online substitui a participação presencial?

Não. A pesquisa mostra que 74% engajam online, mas apenas 28% participam de atividades presenciais, indicando que o digital é complementar, não substituto.

Como evitar compartilhar fake news?

Verifique a fonte, consulte agências de checagem e desconfie de títulos sensacionalistas. Programas de educação midiática reduziram em 25% o compartilhamento de notícias falsas.

Qual o impacto na saúde mental?

35% dos jovens relatam ansiedade relacionada ao consumo de conteúdo político nas redes, segundo a UFMG.

O que a lei brasileira diz sobre algoritmos?

O Marco Civil da Internet não regula algoritmos. O PL 2630/2020 propõe transparência algorítmica e combate à desinformação.

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