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Pedido de vista adia votação da Política de Minerais Críticos no Congresso

ResumoO pedido de vista de última hora adiou a votação do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos no Congresso. A decisão foi articulada por parlamentares que solicitaram mais tempo para analisar o texto. O relator, deputado João Silva (PSB-SP), aguarda nova data para a deliberação.

Um pedido de vista de última hora adiou a votação do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos. A decisão, tomada em reunião de líderes, foi articulada por parlamentares que pediram mais tempo para analisar o texto. O relator, deputado João Silva (PSB-SP), esp

Cleide Sampaio Furtado
Por Cleide Sampaio FurtadoRepórter de Política Legislativa
Brasília · 14 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Pedido de vista adia votação da Política de Minerais Críticos no Congresso

Pedido de vista adia votação da Política de Minerais Críticos

Um pedido de vista de última hora adiou a votação do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos, prevista para esta quarta-feira. A decisão foi tomada em reunião de líderes partidários, após articulação de parlamentares da base e da oposição que pediram mais tempo para analisar o texto. O relator, deputado João Silva (PSB-SP), espera votar em duas semanas.

O pedido de vista adiou a votação da Política de Minerais Críticos em reunião de líderes nesta quarta-feira. O relator, deputado João Silva (PSB-SP), afirmou que o texto será ajustado para ampliar o consenso. A nova votação está prevista para daqui a duas semanas, segundo a liderança do governo.

O que é a Política de Minerais Críticos

O projeto de lei define como minerais críticos aqueles essenciais para a transição energética e a produção de tecnologias limpas, como lítio, terras raras, cobre e níquel. A proposta estabelece diretrizes para a exploração sustentável, o processamento no país e a criação de um cadastro nacional de reservas. O texto tramita em regime de urgência, sob relatoria do deputado João Silva (PSB-SP).

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil possui a terceira maior reserva de terras raras do mundo, com potencial para se tornar um player central na cadeia global de baterias e veículos elétricos. O projeto busca transformar esse potencial em vantagem competitiva, com regras claras de licenciamento e incentivo à industrialização interna.

Os bastidores do pedido de vista

O pedido de vista foi protocolado por três líderes partidários, do PL, do PDT e do PSOL, que argumentaram que o texto precisava de ajustes nas regras de licenciamento ambiental e na divisão de royalties entre União, estados e municípios. O voto se decide no corredor, não no plenário. Nos bastidores, o relator negociou com os líderes para reduzir o número de destaques e garantir uma votação mais tranquila.

A reunião de líderes durou cerca de 40 minutos. O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que o adiamento é uma manobra de última hora para ganhar tempo, mas que o governo tem votos suficientes para aprovar o texto. A oposição, por sua vez, diz que o projeto precisa de mais debate sobre os impactos ambientais. O relator, João Silva, saiu da reunião confiante: "Vamos ajustar o texto e votar em duas semanas".

O cálculo político por trás do adiamento

O pedido de vista adiou a votação porque a base governista ainda não havia fechado o placar. Segundo apuração da reportagem, havia ao menos 15 deputados indecisos entre os partidos do centro, que condicionaram o voto a mudanças no texto. O relator cedeu em dois pontos: incluiu prazos mais longos para a regulamentação de licenciamento e ampliou a participação de estados na arrecadação de royalties.

Quem conta os votos sabe que o adiamento, embora pareça uma derrota, pode ser uma estratégia para evitar uma derrota maior. A oposição, que tentava emplacar um destaque para retirar a obrigatoriedade de processamento no Brasil, perdeu força com a promessa de ajustes. O governo, por sua vez, ganhou tempo para alinhar os partidos do centrão, que exigiam mais espaço na distribuição de recursos.

O que muda com a Política de Minerais Críticos

A Política de Minerais Críticos cria um marco regulatório para o setor, com três pilares: mapeamento de reservas, incentivo à pesquisa e desenvolvimento, e regras de exploração sustentável. O projeto também prevê a criação de um fundo para financiar projetos de mineração de baixo carbono.

Segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Brasil pode atrair até R$ 120 bilhões em investimentos na cadeia de minerais críticos nos próximos dez anos, se o marco regulatório for aprovado. O texto atual permite que o fundo seja capitalizado com parte da arrecadação de royalties e com recursos do Orçamento Geral da União.

O impacto na transição energética

Minerais críticos são insumos indispensáveis para baterias de lítio, motores elétricos, turbinas eólicas e painéis solares. O Brasil, que já é um grande produtor de minério de ferro, tem potencial para se destacar na produção de lítio, nióbio e terras raras.

O projeto de lei estabelece que pelo menos 30% do minério extraído no país deve ser processado internamente, com o objetivo de gerar empregos e valor agregado. A medida é vista como estratégica para reduzir a dependência da China, que hoje domina o processamento global de terras raras. Dados oficiais do Ministério de Minas e Energia indicam que o Brasil tem potencial para processar internamente até 50% de sua produção de lítio até 2030.

Próximos passos da tramitação

O relator, deputado João Silva, deve apresentar o parecer ajustado em até 15 dias. A nova votação está prevista para a primeira semana de julho, em sessão extraordinária. Se aprovado na Câmara, o projeto segue para o Senado, onde tramitará em regime de urgência.

O governo trabalha para aprovar o texto antes do recesso parlamentar de julho. A oposição, no entanto, já sinalizou que pode apresentar novos destaques no plenário. O cálculo político é que o governo precise de ao menos 257 votos para aprovar o texto sem alterações, um número factível, mas que exige negociação com o centrão.

Perguntas Frequentes

O que é um pedido de vista?

Pedido de vista é um instrumento regimental que permite a um parlamentar solicitar mais tempo para analisar um projeto antes da votação. No caso, três líderes partidários pediram vista, adiando a votação em até duas sessões.

Por que a Política de Minerais Críticos é importante?

A política cria regras claras para exploração e processamento de minerais essenciais para a transição energética, como lítio e terras raras. O objetivo é atrair investimentos, gerar empregos e reduzir a dependência de importações.

Quais os principais pontos de divergência?

As divergências giram em torno das regras de licenciamento ambiental e da divisão de royalties entre União, estados e municípios. A oposição quer mais autonomia para estados, enquanto o governo defende a centralização para garantir a viabilidade econômica.

Quando será a nova votação?

A nova votação está prevista para a primeira semana de julho, após o relator apresentar o parecer ajustado. O governo espera aprovar o texto antes do recesso parlamentar.

O que acontece se o projeto for aprovado?

Se aprovado, o projeto cria um marco regulatório para o setor, com incentivos à industrialização interna e à exploração sustentável. O Brasil pode se tornar um dos principais fornecedores de minerais críticos para o mundo.

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