Professores da Uerj suspendem greve após três meses de paralisação
Após 90 dias de paralisação, os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) aprovaram a suspensão da greve. A decisão foi tomada em assembleia no dia 12 de junho, após negociações com o governo estadual que garantiram reajuste salarial e recomposição do orçamen
Professores da Uerj suspendem greve após três meses de paralisação
Após 90 dias de paralisação, os professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) aprovaram a suspensão da greve. A decisão foi tomada em assembleia no dia 12 de junho, após negociações com o governo estadual que garantiram reajuste salarial e recomposição do orçamento da universidade.
Os professores da Uerj suspenderam a greve que começou em março de 2026 após aprovação em assembleia no dia 12 de junho. O acordo firmado com o governo do estado prevê reajuste salarial de 5,5% retroativo a maio e recomposição do orçamento da universidade para 2026, além da criação de uma comissão para discutir o plano de carreira.
O que motivou a greve dos professores da Uerj
A greve teve início em março de 2026, motivada por três demandas principais: reajuste salarial, recomposição do orçamento da universidade e revisão do plano de carreira docente. O movimento paredista foi deflagrado após o governo do estado apresentar uma proposta de reajuste de apenas 2% para 2026, enquanto a inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026).
Os professores argumentavam que a defasagem salarial acumulada desde 2020 era de aproximadamente 15%, considerando os reajustes concedidos abaixo da inflação. Dados do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) indicavam que o salário inicial de um professor adjunto na Uerj era de R$ 8.500, valor que, corrigido pela inflação do período, deveria estar próximo de R$ 9.800.
O acordo que pôs fim à paralisação
Após três meses de negociações mediadas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), as partes chegaram a um acordo que prevê:
- Reajuste salarial de 5,5% retroativo a maio de 2026, a ser pago em duas parcelas: 3% em julho e 2,5% em outubro.
- Recomposição do orçamento da Uerj para 2026, com acréscimo de R$ 50 milhões em relação ao orçamento de 2025.
- Criação de uma comissão paritária para discutir o plano de carreira docente, com prazo de 90 dias para apresentar propostas.
- Garantia de que não haverá cortes de verbas para a universidade até o fim do ano letivo de 2026.
O acordo foi aprovado por 73% dos votos na assembleia, com 15% contrários e 12% de abstenções. A suspensão da greve é válida por 60 dias, período em que a comissão de carreira deve apresentar resultados.
Impacto no calendário acadêmico
Com a suspensão da greve, a Uerj retomou as aulas no dia 16 de junho. A universidade anunciou que o calendário acadêmico será ajustado para repor os dias parados. O período letivo de 2026 será estendido até fevereiro de 2027, com a inclusão de dois sábados letivos por mês e a redução do recesso de julho de 15 para 5 dias.
A reposição das aulas será feita de forma gradual, priorizando os conteúdos essenciais de cada disciplina. A universidade estima que o impacto na conclusão dos cursos de graduação será mínimo, com a maioria dos alunos conseguindo concluir o semestre dentro do novo cronograma.
A situação financeira da Uerj
A Uerj enfrenta dificuldades orçamentárias desde 2020, quando o governo do estado reduziu o repasse de verbas em 12% em relação ao ano anterior. O orçamento da universidade para 2025 foi de R$ 1,2 bilhão, valor 8% inferior ao de 2024, considerando a inflação do período.
O acordo prevê a recomposição de R$ 50 milhões no orçamento de 2026, mas o valor ainda está 5% abaixo do orçamento de 2024 em termos reais. A universidade mantém, no entanto, a expectativa de que a comissão de carreira possa garantir aumentos futuros.
Reações dos professores e da reitoria
A reitoria da Uerj manifestou apoio à suspensão da greve, destacando que o acordo "garante a estabilidade financeira da universidade e o diálogo com a categoria". O Sepe, por sua vez, classificou o acordo como "parcial", mas afirmou que a suspensão era necessária para evitar o colapso do calendário acadêmico.
Professores que votaram contra a suspensão argumentam que o reajuste de 5,5% ainda está abaixo da inflação e que a comissão de carreira não tem prazo definido para implementar mudanças. A categoria promete manter a mobilização e, caso as promessas não sejam cumpridas, retomar a greve após os 60 dias de suspensão.
Comparação com outras universidades estaduais
A greve dos professores da Uerj não é um caso isolado. Em 2026, outras universidades estaduais brasileiras também enfrentaram paralisações por reajustes salariais. A Universidade de São Paulo (USP) encerrou uma greve de 45 dias em abril, após acordo que prevê reajuste de 6,2%. Já a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou reajuste de 5,8% sem greve, após negociações diretas com o governo paulista.
Perguntas Frequentes
A greve dos professores da Uerj acabou?
Sim. Os professores aprovaram a suspensão da greve em assembleia no dia 12 de junho de 2026, após três meses de paralisação. A suspensão é válida por 60 dias.
Qual foi o reajuste salarial acordado?
O acordo prevê reajuste salarial de 5,5% retroativo a maio de 2026, a ser pago em duas parcelas: 3% em julho e 2,5% em outubro.
Quando as aulas serão retomadas?
As aulas foram retomadas no dia 16 de junho de 2026. O calendário acadêmico será ajustado com a inclusão de sábados letivos e redução do recesso de julho.
O que motivou a greve?
A greve foi motivada por três demandas: reajuste salarial, recomposição do orçamento da universidade e revisão do plano de carreira docente.
A Uerj corre risco de fechar?
Não. O acordo firmado com o governo do estado garante a recomposição do orçamento e a manutenção das verbas até o fim de 2026. A universidade não corre risco imediato de fechamento.
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