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Feriado de 9 de julho: da Revolução Constitucionalista à data cívica

ResumoO feriado de 9 de julho celebra a Revolução Constitucionalista de 1932, levante armado do estado de São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas. O movimento exigia a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil. A data tornou-se símbolo cívico da luta pela democracia e pela ordem constitucional no país.

O feriado de 9 de julho rememora a Revolução Constitucionalista de 1932, levante paulista contra o governo provisório de Getúlio Vargas. Conheça o contexto histórico, os líderes do movimento e por que a data é símbolo de luta pela Constituição.

Marlene Okafor Vieira
Por Marlene Okafor VieiraComentarista de Direitos Humanos
Brasília · 09 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Feriado de 9 de julho: da Revolução Constitucionalista à data cívica

Feriado de 9 de julho: do levante de oposição a Vargas à data cívica

O feriado de 9 de julho em São Paulo não é apenas um dia de folga. A data rememora a Revolução Constitucionalista de 1932, levante armado contra o governo provisório de Getúlio Vargas, que exigia a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. O movimento, liderado por civis e militares paulistas, durou três meses e resultou na promulgação da Constituição de 1934.

O que foi a Revolução Constitucionalista de 1932

A Revolução Constitucionalista foi um conflito bélico entre o estado de São Paulo e o governo federal, então sob o comando de Getúlio Vargas. O estopim foi a insatisfação com a centralização do poder após a Revolução de 1930, que levara Vargas ao poder sem uma nova Constituição. Os paulistas, que haviam perdido a hegemonia política, organizaram uma frente ampla, unindo o Partido Republicano Paulista (PRP), o Partido Democrático (PD) e setores militares, para exigir eleições e uma assembleia constituinte.

Segundo registros históricos, o movimento eclodiu em 9 de julho de 1932, quando tropas paulistas tomaram quartéis e iniciaram a guerra civil. As principais lideranças civis foram Pedro de Toledo (governador nomeado pelos revolucionários) e os generais Isidoro Dias Lopes e Bertoldo Klinger.

Por que São Paulo se rebelou contra Vargas?

A insatisfação paulista vinha desde 1930, quando Vargas nomeou interventores para o estado sem consultar as elites locais. O governo provisório, por decreto, governava sem Constituição, o que era visto como autoritário. Em 1932, a situação se agravou com a nomeação de João Alberto Lins de Barros como interventor, um tenente ligado a Vargas, rejeitado pelos paulistas. A gota d'água foi o assassinato de quatro estudantes paulistas (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) em 23 de maio de 1932, durante um protesto contra o governo, evento que ficou conhecido como MMDC.

A guerra civil: três meses de conflito

O confronto durou de 9 de julho a 2 de outubro de 1932. As forças paulistas, numericamente inferiores e com armamento limitado, enfrentaram o Exército brasileiro, que contava com apoio de outros estados. Estima-se que cerca de 40 mil combatentes paulistas tenham se mobilizado, contra 60 mil soldados federais. Apesar da resistência heroica, as tropas paulistas foram derrotadas militarmente.

A rendição ocorreu em 2 de outubro de 1932. O saldo foi de aproximadamente 934 mortos em combate, entre paulistas e federais, além de centenas de feridos. Mas a derrota militar não significou fracasso político: a pressão pela constitucionalização continuou.

O legado político: a Constituição de 1934

Menos de dois anos depois, em 16 de julho de 1934, foi promulgada a nova Constituição brasileira, que restabeleceu o regime democrático e garantiu direitos como voto feminino e legislação trabalhista. A Revolução Constitucionalista de 1932 é creditada como um dos fatores que forçaram Vargas a convocar a Assembleia Constituinte. Por trás do número constitucional, há o rosto de milhares de paulistas que lutaram por uma causa que transcendeu o estado.

Por que 9 de julho é feriado em São Paulo?

A data foi oficializada como feriado estadual pela Lei nº 9.497, de 5 de março de 1997, que instituiu o "Dia da Revolução Constitucionalista de 1932" no calendário cívico paulista. O feriado é celebrado com desfiles cívicos, homenagens no Monumento do Ibirapuera (que abriga o mausoléu dos heróis de 1932) e eventos escolares. É um dia de reflexão sobre a luta pela democracia e pelo Estado de Direito.

Curiosidades sobre o feriado de 9 de julho

  • O símbolo do movimento é o MMDC, sigla dos estudantes mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. O quinto estudante, Alvarenga, também foi morto, mas a sigla já era conhecida.
  • O Monumento do Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer, foi inaugurado em 1955 para abrigar os restos mortais de 713 combatentes.
  • A data é feriado apenas no estado de São Paulo; no restante do país, é um dia comum.
  • Em 2026, o feriado cai numa quinta-feira, o que pode gerar ponto facultativo na sexta para muitos trabalhadores.

Perguntas Frequentes

O que foi a Revolução Constitucionalista de 1932?

Foi um levante armado do estado de São Paulo contra o governo provisório de Getúlio Vargas, ocorrido entre julho e outubro de 1932, com o objetivo de forçar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Por que o feriado de 9 de julho é só em São Paulo?

Porque a Revolução Constitucionalista foi um movimento liderado por paulistas, e a data foi instituída como feriado estadual pela Lei nº 9.497/1997, sendo uma celebração cívica local.

Qual a relação entre o MMDC e o feriado?

O MMDC é a sigla dos quatro estudantes mortos em 23 de maio de 1932, durante protesto contra o governo Vargas. Suas mortes galvanizaram a opinião pública e aceleraram o início da revolução.

A Revolução Constitucionalista conseguiu seu objetivo?

Sim, indiretamente. Embora derrotada militarmente, a pressão política levou Vargas a convocar a Assembleia Constituinte, que promulgou a Constituição de 1934.

Como o feriado é celebrado hoje?

Com desfiles cívicos, cerimônias no Monumento do Ibirapuera, atividades em escolas e homenagens aos ex-combatentes.

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