Especiais

LGPD lei dados: como funciona a Lei Geral de Proteção de Dados

ResumoA Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) regula a coleta, armazenamento e tratamento de dados pessoais por empresas e órgãos públicos no Brasil. A LGPD concede ao titular direitos como acesso, correção e exclusão de informações pessoais, exigindo consentimento explícito para uso dos dados. A lei estabelece sanções para infrações, incluindo multas.

A LGPD regula como empresas e órgãos públicos coletam, armazenam e tratam dados pessoais no Brasil. Ela dá a você o controle sobre suas informações, com direitos como acesso, correção e exclusão. Entenda como funciona na prática.

Marlene Okafor Vieira
Por Marlene Okafor VieiraComentarista de Direitos Humanos
Brasília · 13 de julho de 2026 · 3 min de leitura
LGPD lei dados: como funciona a Lei Geral de Proteção de Dados

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) - oficialmente Lei nº 13.709/2018 - estabelece como empresas, órgãos públicos e outras organizações devem coletar, armazenar, tratar e compartilhar dados pessoais de cidadãos brasileiros. Na prática, ela devolve ao titular o controle sobre suas próprias informações, com regras claras e punições para quem as desrespeita. Se você já preencheu um formulário online, fez uma compra ou usou um aplicativo, a LGPD está protegendo seus dados agora.

O que são dados pessoais para a LGPD?

Dados pessoais são informações que identificam ou tornam identificável uma pessoa natural. Isso inclui nome, CPF, endereço, telefone, e-mail, dados de localização, endereço IP e até características físicas ou comportamentais. A lei também protege dados sensíveis - como origem racial, convicção religiosa, opinião política, dados de saúde e vida sexual - com regras ainda mais rigorosas.

Quais são os direitos do titular dos dados?

A LGPD lista nove direitos que você pode exercer a qualquer momento. Os principais são: confirmação da existência de tratamento; acesso aos dados; correção de dados incompletos ou desatualizados; anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários; portabilidade para outro fornecedor; e revogação do consentimento. A empresa deve responder em até 15 dias.

O que é consentimento e quando ele é exigido?

Consentimento é a autorização livre, informada e inequívoca que o titular dá para o tratamento de seus dados. Ele é uma das dez bases legais previstas na lei. O consentimento é obrigatório quando nenhuma outra base se aplica - por exemplo, para envio de publicidade personalizada. Você pode revogá-lo a qualquer momento, e a empresa deve parar de usar os dados.

Quem fiscaliza a LGPD no Brasil?

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é o órgão responsável por fiscalizar, orientar e aplicar sanções. Ela pode investigar denúncias, exigir medidas corretivas e multar infratores. As multas podem chegar a 2% do faturamento da empresa no Brasil, limitadas a R$ 50 milhões por infração, além de advertências, bloqueio de dados e proibição parcial ou total de atividades.

O que muda com a LGPD para o cidadão comum?

Na prática, você ganhou poder. Pode pedir que uma loja apague seus dados após uma compra, recusar o compartilhamento de informações para marketing e exigir saber exatamente quais dados uma empresa tem sobre você. Antes da lei, essas solicitações não tinham base legal - hoje, o descumprimento pode render multa.

Como as empresas devem se adequar?

Empresas precisam mapear todos os dados que coletam, nomear um encarregado (DPO), revisar formulários de coleta, criar canais de atendimento ao titular e adotar medidas de segurança. Pequenas empresas podem usar modelos simplificados, mas todas devem ter uma base legal para cada finalidade de tratamento.

FAQ

A LGPD se aplica a empresas fora do Brasil?

Sim. A lei vale para qualquer organização que colete ou trate dados de pessoas localizadas no Brasil, independentemente de onde a empresa esteja sediada.

Qual a diferença entre dado pessoal e dado sensível?

Dados sensíveis são uma subcategoria com proteção extra: incluem origem racial, opinião política, religião, dados de saúde e vida sexual. O tratamento só é permitido com consentimento específico ou em situações muito restritas.

O que acontece se uma empresa descumprir a LGPD?

Ela pode receber advertência, multa de até 2% do faturamento (limitada a R$ 50 milhões), bloqueio ou eliminação dos dados, e até proibição parcial ou total de atividades.

Preciso dar consentimento para tudo?

Não. A lei prevê dez bases legais - o consentimento é apenas uma. Por exemplo, para cumprir obrigação legal ou executar um contrato, o tratamento pode ocorrer sem consentimento.

Como faço para exercer meus direitos?

Entre em contato com o canal de atendimento da empresa (DPO ou SAC) e faça a solicitação formal. A empresa tem 15 dias para responder. Se não atender, denuncie à ANPD.

A LGPD já está valendo?

Sim. A lei entrou em vigor em setembro de 2020, e as sanções administrativas passaram a ser aplicadas a partir de agosto de 2021.

Leia também

Publicidade